É no Plenário da Câmara que diversas correntes do pensamento sobre o futuro do Brasil se encontram. Nestes cinco anos à frente da bancada do MDB na Casa, tenho vivido intensamente com os colegas de partido uma batalha por propostas para garantir o desenvolvimento sustentável, ajudar o governo a tornar a máquina pública eficiente e melhorar a qualidade de vida de brasileiras e brasileiros.
Estes tempos de mudanças bruscas de plataformas tecnológicas e costumes tornam o exercício parlamentar mais desafiador. 20 Em minhas posições, costumo lembrar a trajetória do nosso partido. Não apenas por seu compromisso de defesa da democracia e do respeito à integridade humana, mas por sua tradição de reunir posicionamentos divergentes, no campo político e econômico.
Nesse contexto, liderar uma bancada plural é um desafio. Entretanto, ter consciência de que somos uma federação de ideias encurta o diálogo com outras legendas e a sociedade. A busca pela convergência traz resultados. Fui relator da Medida Provisória dos Ministérios, que deu uma nova estrutura ao governo do presidente Lula; evitei, como relator do programa Casa Verde e Amarela, que o Minha Casa, Minha Vida fosse desmantelado; e atuei fortemente para a aprovação histórica da Reforma Tributária, projeto do presidente do MDB, Baleia Rossi, discutido na comissão especial que teve Hildo Rocha à frente.
No momento, o meu desafio é relatar o Orçamento de 2026. Diante de decisões recentes do Congresso, faço ajustes que permitirão ao governo tocar obras e manter programas sociais.
Na polarização, o caminho do entendimento é o indicado. Isto aprendi com meu pai, Isnaldo Bulhões. Aprendi com as pessoas do sertão de Alagoas. É de lá que vem o ensinamento de um certo prefeito. Graciliano Ramos, de Palmeiras dos Índios, escreveu em relatório como encarava a vida pública: “Procurei sempre os caminhos mais curtos. Nas estradas que se abriram só há curvas onde as retas foram inteiramente impossíveis”. A lição do prefeito-escritor é seguida pelo MDB. Com a simplicidade característica dos brasileiros, o partido busca a reta. Nunca tergiversamos quando estão em jogo a democracia, a economia, a cidadania e a renda. Sem rodeios e curvas.
Esse estilo de viver e fazer política é a essência de um desafio que a Fundação Ulysses Guimarães apresenta: “O Brasil precisa pensar o Brasil”. A proposta de trazer subsídios ao debate sucessório de 2026 mostra a força de quem dialoga. O partido dá continuidade a projetos marcantes, como o “Ponte para o futuro” e “Todos por um só Brasil”. O sentimento é de quem tem pressa, mas antes escuta. É mais um passo na história iniciada por Ulysses e meus antigos antecessores na liderança da bancada, como Mário Covas, Pedroso Horta e Tancredo Neves. Vamos ouvir e pensar o Brasil.